Das Missões do Fr. Agostinho da Loro Piceno e Fr. Francesco da Urbania
Na publicação anterior, ocupavam-se os missionários com a pregação popular e o desafio da intermediação das rendições dos revoltosos durante o declínio do cangaço na cidade de Jeremoabo, ao norte da Bahia.
Dando continuidade ao contexto das Santas Missões Populares, o registro fotográfico escolhido é de um avanço geográfico ainda mais ao norte, na cidade de Itabaianinha, ao sul do estado de Sergipe.
Na cena em questão, registrada durante uma missão itinerante, encontram-se novamente os religiosos Fr. Agostinho da Loro Piceno (à esquerda) e Fr. Francesco da Urbania (à direita), juntamente com o Pe. Manoel Vieira dos Santos (ao centro da imagem).
Segundo a análise dos relatórios internos da Ordem, feita pelo Fr. Pietro Vitorino Regni, ao todo, o Fr. Francesco participou de estimados 330 cursos de pregações em sua atuação na Prefeitura Apostólica da Bahia, das quais 125 cumpriram-se na companhia do Fr. Agostinho.
A respeito do Fr. Francesco da Urbania está escrito:
Superadas as primeiras dificuldades de ambientação ao clima (...), dedicou-se com garra ao estudo do português, que aprendeu tão bem que não se distinguia do povo com relação à pronúncia. Sabia usá-lo com suas nuances e por isso teve oportunidade de ocupar o púlpito de muitas igrejas da Bahia numa época em que os oradores baianos eram famosos. Isto foi de grande importância em suas pregações. Ele podia fazer um sermão de improviso e espontaneidade e muito entusiasmo, pois não lhe faltavam palavras para expressar suas ideias.
Levando-se em conta a duração das santas missões e o elevado número de fiéis que assistiam às pregações, por vezes, até 20.000 pessoas, não será difícil imaginar a grandeza do trabalho de Fr. Francisco e a abundância de frutos conseguidos em suas excursões apostólicas. Percorreu infindas regiões. Efetivamente, além de ter pregado em quase todos os lugares da Bahia e Sergipe, visitou ainda os Estados do Pernambuco, Alagoas, Ceará e Piauí, chegando até Goiás.
Os sacrifícios, as canseiras, os jejuns, as noites insones, dias passados no confessionário, na pregação e na orientação das obras de promoção social, são reconhecidos somente por ele e Deus.
Quanto ao Fr. Agostinho da Loro Piceno, este foi o confrade que, sem dúvida, mais compartilhou das fadigas e consolações espirituais de Fr. Francesco da Urbânia no intenso apostolado missionário entre o povo do sertão. Sobre ele, Regni comenta:
Aprendeu muito bem a língua portuguesa, como Fr. Francisco, mas lhe era superior quanto à memória. Sobre este dote, com a ajuda do ardor da caridade e do zelo apostólico, se assentam principalmente seus sucessos no ministério da pregação. Frisou muito bem isto o Provincial, fr. Mariano de Fermo, no seu relatório sobre a visita canônica à missão baiana em 1928, enviado à Cúria Geral.
«Fr. Agostinho – escrevia ele – é um dos melhores frades pela piedade, zelo e espírito de sacrifício. É estimado não só pelos confrades, mas também pelo Arcebispo da Bahia, que frequentemente o leva consigo nas visitas pastorais; e me assegurou ser ele o pregador mais apreciado da Bahia. E realmente é assim, porque os sermões que levou da Província são bem feitos. Ele os mandou traduzir em português castiço por um jesuíta, os aprendeu de cor literalmente e os repete com uma ênfase e um entusiasmo singulares.»
Dos 35 anos que Deus lhe concedera enquanto missionário, Fr. Agostinho dedicou-se a 316 missões, o que se traduz numa impressionante média de nove por ano. Sem ter em conta a massiva contabilidade de missas rezadas, sacramentos administrados, sermões pregados, obras de caridade, serviços à Ordem, obras públicas construídas etc.
Se por muitos era requisitado devido a sua distinção enquanto orador sacro, igualmente reconhecida era a sua disposição para enfrentar as mais desgastantes adversidades do labor apostólico; no comentário de sua biografia, Regni continua:
(...) As missões duravam comumente de oito a doze dias, sendo uma dura prova para a resistência física e moral do missionário. E as longas viagens, quase sempre a cavalo, sob um sol abrasador? E a nostalgia da vida quieta do convento ao qual voltava após meses de ausência?
Muitos foram os riscos e consolações partilhados por estes dois confrades: os riscos do mensageiro da paz, e a consolação da concórdia reestabelecida. Como vimos, no texto anterior, tiveram a alegria de ver grupos de cangaceiros renderem-se aos seus sermões e ajoelharem-se a seus pés implorando a confissão de seus pecados e receberem a santa comunhão. Consta na história da Ordem que ambos os frades em sua velhice contavam com orgulho estes façanhas aos frades mais jovens cheios de administração.
Em suma, foram varões apostólicos de muitos outros feitos – conhecidos e desconhecidos – aos quais mais atenção deveria ser prestada. É do meu desejo continuar explorando os percalços e glórias desses missionários e, havendo interesse sobre o assunto, pretendo continuar a escrever sobre o tema.
+ Iter Para Tutum +

Comentários
Postar um comentário
– Teste de mensagem para formulário de comentário do blog, será que funciona?