Digressões e Meditações do Dia


Numa lenta e agradável tarde de outubro, recolhido na minha cela há algumas horas, penso ser este o melhor meio para expressar um pouco do que tenho pensado durante hoje e estes últimos meses, que apesar da sua extensão, no fundo, não diferem tanto entre si.

A vista, que vejo à minha direita, em nada mudou desde que cheguei aqui. Era, certamente, a mesma há cinquenta anos e não se tornará estranha em mais cinquenta que a longevidade, por certo, lhe concederá. O clima é o mesmo desde sempre. O tempo baila numa dualidade entre sol e nuvens chuvosas, sempre imprevisível e inconstante, como se houvesse nele traços de uma sutil personalidade, sem muito, inclusive, se importar com as demandas das estações que vêm e vão, com as previsões imprecisas dos meteorologistas, ou então com os meus próprios planos.

As nuvens cinzas ou o azul bucólico vez ou outra são interrompidos pela passagem de uma ou outra ave que desta janela posso avistar com abundância e facilidade. Quando há um sopro de vento, as copas das árvores logo se agitam, e nesse ritmo as horas se perdem e os dias passam. Assim é há muitos anos, e na minha vez também não haveria de ser diferente.


Quando por descuido baixo a guarda e me pego desprevenido, me vejo com a mente uma vez mais a se dispersar, para além das árvores, pairando com a mesma liberdade que os pequenos passarinhos, e ao retornar, cá estou. Do mesmo modo que antes, divagando sobre aves, céus, árvores e sabe-se lá mais o que… Coisas essas que não possuem mais valor algum e em algum momento também hão de ceder a sua vez a algo que se julgue de maior valor.


Redijo este texto aos 17 de outubro de 2025.



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