Sermão do IV° Domingo do Mês Mariano

Comentários ao Dogma da Imaculada Conceição.
Do quarto e último domingo do Mês Mariano.

"A Imaculada Conceição", por Peter Paul Rubens, século XVII. Pintura óleo sobre tela.

+ A nossa saudação franciscana de Paz e Bem +

Irmãos caríssimos, em preparação para a explanação do Dogma da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada e Sempre Virgem Maria, rezemos todos de pé a oração da Ave Maria.

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Neste mês de maio, tradicionalmente devotado a meditação dos mistérios marianos, tivemos a oportunidade de, reunidos em cada domingo, dedicar antes de toda missa a exposição de cada um dos dogmas marianos solenemente proclamados pelo Magistério da Igreja.

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I.

No primeiro domingo do Mês - onde não à toa é festejado no calendário civil o dia das mães – nós nos dedicamos ao Dogma da Maternidade Divina, proclamado no Concílio de Éfeso, ainda ao século V.

Neste dia, podemos compreender melhor que Maria é verdadeiramente a Theotoko (mãe de Deus), porque foi ela, e não outra, quem gerou por meio do Espirito Santo, segundo a carne, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, Jesus Cristo, que em sua natureza é verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem. Mistério esse que chamamos na teologia de “união hipostática”.

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II.

No segundo domingo – espero que todos se recordem –, por sua vez, meditamos com o auxílio dos nossos confrades a beleza do Dogma da Virgindade Perpétua de Maria, confirmado desde os antigos concílios e pela Tradição Perene da Igreja a condição de total consagração e virgindade de Maria, testemunho da sua generosaabsoluta e irrestrita entrega a Deus e, também, sinal inconfundível do caráter único na história da salvação do nascimento do Cristo.

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III.

Já ao terceiro domingo, onde seguindo a linha cronológica das definições dogmáticas meditaríamos os mistérios da Imaculada Conceição de Maria, definido pelo Papa Pio IX, ao século XIX, optamos por primeiro conhecermos o dogma da Assunção de Maria ao Céu, para que aquela - a padroeira do povo baiano -, que de modo muito afeiçoado chamamos de “A Imaculada Conceição” fosse, de modo muito especial contemplada neste quarto e último domingo.

Antes, porém, devemos recapitular e nos lembrar do que é para nós a confirmação da fé na Assunção de Maria ao Céu.

Esta definição dogmática é o reconhecimento solene, e tardio, da doutrina de que tendo completado o curso de sua vida na terra a Virgem Maria, por ação da graça divina, foi assunta em corpo e alma na glória celeste. Sendo glorificada plenamente desde o fim de seus dias, como nos explicariam as palavras do papa Pio IX. Assim, já participando da ressurreição, esperada e prometida a toda Igreja.

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IV.

Por fim, neste quarto e último domingo do mês de maio, salvaguardemos em nossos corações – com o mesmo zelo como o que se guarda um valiosíssimo tesouro – as palavras da Senhora de Lourdes, que durante suas aparições públicas, quando questionada a sua identidade pela pobrezinha camponesa Bernadete Soubirous, ela, a senhora, docemente a responde:

– “Je suis l’Immaculée Conception”, Eu sou a Imaculada Conceição!

Assim, conservemos todos nós, a exemplo da própria virgem Maria, estas palavras em nossos corações e as meditemos, sem cessar, neste domingo e em toda a semana que ele inicia, este, dos mais belos mistérios, o da Imaculada Conceição.

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Esta verdade de fé afirma, sem erro, que Maria, desde o primeiro instante de sua concepção, foi preservada do pecado original pela graça de Deus. Uma Graça especialíssima concedida em vista dos méritos de Jesus Cristo, Redentor da humanidade.

Nas Sextas-Feiras, quando recitamos no Ofício das Laudes o salmo 50, dizemos conforme as palavras do salmista:

– “Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade e pecador já minha mãe me concebeu.

Se a nós, mesmo antes de termos nascido, desde o ventre materno, nos é transmitida a mancha do pecado original, herdado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva. Maria, diferentemente de todos os outros seres humanos decaídos, foi concebida puraimaculada – isto é: sem a mancha do pecado original – preparada pelas mãos do Pai para sua missão singular: a de ser a Mãe de Deus!

Essa verdade está enraizada na promessa de Deus no livro de Gênesis (Gn 3,15), que chamamos de “protoevangelho”, quando ele anuncia a inimizade entre a geração da mulher e a da serpente, apontando para Maria como a nova Eva.

Se por Eva tivemos a experiência de conhecer o fruto do pecado, que é morte e a danação, por Maria podemos conhecer o fruto da Obra da Redenção, que é o próprio Cristo, fonte de toda a vida e da eterna salvação.

Assim como Eva, pela desobediência, trouxe o pecado ao mundo, Maria, com seu “sim” obediente, cooperou para a redenção e trouxe ao mundo a nossa salvação: que é Jesus Cristo.

Maria foi redimida, de maneira sublime, em vista dos méritos de seu Filho; Esse dogma revela não apenas a pureza única de Maria, mas também a perfeição do plano de Deus, que a preparou desde o início para ser a Mãe do Salvador.

Que seja, então, a Virgem Maria, o modelo da humanidade redimida do pecado, e da antecipação das promessas que esperamos alcançar em Cristo. E que possamos compreender que o dom da Imaculada Conceição é, na verdade, sinal vivo da vitória da Graça sobre o pecado e da esperança que temos na salvação.

Por tanto, queridos irmãos e confrades, que imitando, no que nos é possível, os veneráveis exemplos da Nossa Mãe, ConsagradaSem Mancha e Assunta à Glória dos Céus, possamos nos afastar de todo pecado e pequenez de nossa parte, e implorando, possamos chegar um dia, a em algo nos assemelhar às alvuras de seus méritos e os de Seu Filho, Nosso Senhor e Mestre, ao qual aponta toda a nossa devoção.


℣. Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo,

℟. Para Sempre Seja Louvado!

℣. E a sua mãe Maria Santíssima!


"Anunciação a Maria", por Beato Frei Angélico, século XV, entre 1438 a 1450. Atualmente conservado no Museo Nazionale di San Marco.

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